Portugal tem “universitários a mais e cursos que não interessam a ninguém”

O diretor da Obra Católica Portuguesa das Migrações (OCPM) defendeu hoje que Portugal tem “universitários a mais e cursos que não interessam a ninguém”, uma realidade que “ilude os jovens” licenciados que, “desempregados, são obrigados a emigrar”.

O frei Francisco Sales alertou para o investimento financeiro e pessoal que está a ser realizado pelas famílias, sem que “depois consigam garantir trabalho”, sendo importante, sustentou, “que o Ministério da Educação oriente as pessoas mais novas a fazerem uma escolha orientada”.

O responsável frisou ainda a necessidade de o Ensino Superior oferecer cursos adequados ao mercado de trabalho, à margem do “Encontro Nacional de Promotores Socio-Pastorais das Migrações”, que tem lugar em Fátima até domingo, promovido pela OCPM, Agência Ecclesia e Cáritas Portuguesa.

O diretor da OCPM lembrou que muitos desses jovens que criaram expectativas e projetos de vida, “sem que o Estado tenha resposta para se realizarem profissional e humanamente (…) saem e dizem que não têm vontade de voltar a Portugal”.

Francisco Sales disse estar convicto de que “com a mobilidade de hoje” esta será uma geração que vai “estruturar a sua vida lá fora”, sublinhando que “a frustração dos jovens licenciados” também está presente nas gerações mais antigas, que estão a emigrar de novo, perante “um país que não lhes deram respostas”.

“Se formos ver o número das estatísticas de pessoas que vivem no estrangeiro e que pediram a nacionalidade do país de acolhimento é assustador. Conheço emigrantes que estiveram emigrados uma vida e nunca quiseram renunciar à nacionalidade portuguesa (…) e esta realidade está a mudar”, concluiu.

 

Lusa

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